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Amitriptilina Topiramato ou Placebo para Enxaqueca em Pediatria

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 19/06/2017

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Contexto clínico

 

O uso de medicamentos para profilaxia de enxaqueca em adultos é bastante estudado e sedimentado. Infelizmente, há crianças e adolescentes que também sofrem com crises de enxaqueca. É fundamental, portanto, gerar evidências sobre as opções para a prevenção de crises de enxaqueca na faixa pediátrica.

 

O Estudo

 

Realizou-se um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado com placebo, que foi desenhado para comparar amitriptilina (1mg/kg/dia), topiramato (2mg/kg/dia) e placebo em crianças e adolescentes de 8 a 17 anos com enxaqueca. Os pacientes foram distribuídos, de forma aleatória, em uma proporção de 2:2:1 para receber um dos medicamentos ou placebo. O resultado primário foi uma redução relativa de 50% ou mais no número de dias de cefaleia na comparação do período basal de 28 dias com os últimos 28 dias, considerando um ensaio de 24 semanas de duração. Os desfechos secundários foram: incapacidade relacionada à cefaleia; cefaleia que perdurou por dias; eventos adversos graves que surgiram durante o tratamento.

Um total de 361 pacientes foi submetido à randomização, sendo 328 incluídos na análise de eficácia primária (132 no grupo de amitriptilina, 130 no grupo de topiramato e 66 no grupo de placebo). O ensaio foi concluído precocemente por futilidade. Não houve diferenças significativas entre os grupos no desfecho primário, que ocorreu em 52% dos pacientes do grupo de amitriptilina, 55% no grupo de topiramato e 61% no grupo de placebo (amitriptilina versus placebo, P = 0,26; topiramato versus placebo, P = 0,48; amitriptilina versus topiramato, P = 0,49).

Também não houve diferenças significativas entre os grupos na incapacidade relacionada à cefaleia, na cefaleia que perdurou por dias, ou na porcentagem de pacientes que completaram o período de tratamento de 24 semanas. Os indivíduos que receberam amitriptilina ou topiramato apresentaram taxas mais altas de eventos adversos do que aqueles que receberam placebo, incluindo fadiga (30% versus 14%) e boca seca (25% versus 12%) no grupo de amitriptilina e parestesia (31% versus 8%) e perda de peso (8% versus 0%) no grupo de topiramato. Três pacientes no grupo de amitriptilina apresentaram eventos adversos graves de humor alterado, e um paciente no grupo de topiramato teve uma tentativa de suicídio.

 

Aplicação prática

 

Com base neste ensaio clínico randomizado, a amitriptilina e o topiramato não podem ser recomendados como opções de profilaxia para enxaqueca em crianças e adolescentes. Não houve diferenças significativas na redução da frequência de cefaleia ou da incapacidade relacionada à cefaleia com amitriptilina, topiramato ou placebo durante um período de 24 semanas. Os fármacos ativos foram associados com maiores taxas de eventos adversos.

 

Bibliografia

 

Powers SW et al. Trial of Amitriptyline, Topiramate, and Placebo for Pediatric Migraine. N Engl J Med 2017; 376:115-124

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