FECHAR
Feed

Já é assinante?

Entrar
Índice

Resumo dos Melhores Artigos de 2014 em Cardiologia

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 01/04/2015

Comentários de assinantes: 0

Os Artigos

Terapia antiplaquetária dupla prolongada após stent: não se sabe se há algum benefício em manter dois antiagregantes planetários por mais de 12 meses após implantação de stent farmacológico. Foi feito um estudo randomizado (aspirina + tienopiridina), placebo controlado (aspirina + placebo) para tentar esclarecer esta questão. Entre 12 e 30 meses, a incidência de trombose de stent foi significativamente menor no grupo de dupla terapia do que no grupo de placebo (0,4% vs. 1,4%; taxa de risco: 0,29), assim como foi a incidência de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares adversos (4,3% vs. 5,9; taxa de risco: 0,71). A taxa de infarto do miocárdio foi reduzida em aproximadamente 50% com dupla terapia prolongada (2,1% vs. 4,1%; taxa de risco: 0,47; P <0,001), mesmo em pacientes sem trombose de stent (taxa de risco: 0,59; P <0,001). Um aumento da taxa de hemorragias moderadas ou graves ocorreu nos pacientes recebendo a dupla antiagregação (2,5% vs. 1,6%; taxa de risco: 1,61; P = 0,001) episódios de hemorragia fatal não foram diferentes entre os dois grupos. A mortalidade cardiovascular foi semelhante nos dois grupos. Por esse estudo parece haver um benefício em prolongar a dupla antiagregação por mais de 12 meses para pacientes que receberam stent farmacológico.

 

Denervação renal para hipertensão resistente: a denervação de artérias renais por cateter usando radiofrequência poderia ser uma alternativa ao tratamento da hipertensão resistente, mas faltam dados para corroborar seu uso. Foi feito um estudo randomizado com mais de 500 pacientes com pressão sistólica > 160mmHg mesmo com uso de ao menos 3 anti-hipertensivos em doses máximas. Os pacientes foram randomizados para angiografia de artéria renal  com denervação, ou para um procedimento simulado (sham), que foi angiografia renal apenas. Com seis meses, a média de pressão sistólica diminuiu 14 mmHg no grupo denervação e 12 mmHg no grupo sham, uma diferença não significativa. Além disso, não foram observadas diferenças entre os grupos na PA diastólica em medições ambulatoriais de pressão arterial. Infelizmente este estudo não demonstrou haver benefício com este procedimento.

 

Prótese expansível para estenose aórtica: a troca de valva aórtica por cateterismo é uma alternativa à cirurgia, que assusta muitos pacientes. O uso de prótese expansível por balão parece ser promissor para pacientes de alto risco nos quais não é viável indicar cirurgia. Em um estudo multicêntrico randomizado que contou com 795 pacientes (idade média de 83 anos) considerados como de alto risco (mortalidade estimada em > 15% no pós-operatório), os pacientes receberam uma prótese expansível (CoreValve) ou foram submetidos à cirurgia. A mortalidade em um ano foi menor com a prótese expansível do que com a cirurgia (14,2% vs. 19,1%; P = 0,04). Os resultados persistiram em subgrupos conforme faixa etária (> ou = 85 anos), sexo, presença ou não de diabetes, e pelo escore de risco (alto vs. baixo), mostrando que de fato esta é uma alternativa excelente para este perfil de pacientes, oferecendo bons resultados clínicos com menores riscos.

 

Colchicina para pericardite: estudos anteriores demonstraram a eficácia e a segurança da colchicina como um complemento ao tratamento convencional para pericardite aguda. Para avaliar se a eficácia da colchicina estende-se a casos com recorrência, foi feito um ensaio clínico multicêntrico. Foram randomizados 240 pacientes com =2 recorrências de pericardite para receber placebo ou 0,5 mg colchicina (duas vezes por dia em doentes com peso superior a 70 kg; uma vez por dia se =70 kg) por seis meses. Todos os participantes também receberam anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) ou corticosteroides. Durante um seguimento médio de 20 meses, a taxa de recorrência de pericardite foi menor no grupo que recebeu colchicina em comparação ao grupo placebo (21,6% vs. 42,5%; P <0,001). Além disso, a taxa de melhora de sintomas em uma semana de tratamento foi significativamente maior no grupo que recebeu colchicina (83,3% vs 59,2%). As taxas de eventos adversos e descontinuação da droga foram baixas e semelhantes em ambos os grupos. Este estudo demonstra que a colchicina é droga de primeira linha para recorrência de pericardite.

 

Ressincronização cardíaca para insuficiência cardíaca: em pacientes com insuficiência cardíaca, mesmo leve, a ressincronização cardíaca melhora a qualidade de vida, melhora a fração de ejeção de ventrículo esquerdo e diminui o número de internações. Mas pouco se sabe sobre a mortalidade em longo prazo. Uma avaliação com mediana de 5,6 anos em pacientes submetidos a esta terapia. Com sete anos, as taxas de morte foram menores nos pacientes com bloqueio de ramo esquerdo e uso de ressincronização em comparação com os pacientes com cardioversores implantáveis tradicionais (18% vs. 29%; taxa de risco: 0,59; P<0,001). O mesmo não ocorreu para pacientes sem bloqueio de ramo esquerdo. Este estudo mostra que os benefícios da ressincronização cardíaca são limitados a pacientes com bloqueio de ramo esquerdo.

 

 

Bibliografia

Mauri L et al. Twelve or 30 months of dual antiplatelet therapy after drug-eluting stents. N Engl J Med 2014 Nov 16; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa1409312)

 

Bhatt DL et al. A clinical trial of renal denervation for resistant hypertension. N Engl J Med 2014 Mar 29; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa1402670)

 

Adams DH et al. Transcatheter aortic-valve replacement with a self-expanding prosthesis. N Engl J Med 2014 Mar 29; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa1400590)

 

Imazio M et al. Efficacy and safety of colchicine for treatment of multiple recurrences of pericarditis (CORP-2): A multicentre, double-blind, placebo-controlled, randomised trial. Lancet 2014 Mar 30; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(13)62709-9)

 

Goldenberg I et al. Survival with cardiac-resynchronization therapy in mild heart failure. N Engl J Med 2014 Mar 30; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa1401426)

Conecte-se

Feed

Sobre o MedicinaNET

O MedicinaNET é o maior portal médico em português. Reúne recursos indispensáveis e conteúdos de ponta contextualizados à realidade brasileira, sendo a melhor ferramenta de consulta para tomada de decisões rápidas e eficazes.

Medicinanet Informações de Medicina S/A
Av. Jerônimo de Ornelas, 670, Sala 501
Porto Alegre, RS 90.040-340
Cnpj: 11.012.848/0001-57
(51) 3093-3131
info@medicinanet.com.br


MedicinaNET - Todos os direitos reservados.

Termos de Uso do Portal